“Carta aberta do Instituto de Psicologia”


Nós, estudantes, docentes e funcionários técnico-administrativos do Instituto de Psicologia, em reunião convocada pela direção do IPUSP em 19/08 e na Assembléia das três categorias do dia 21/08, posicionamo-nos contrariamente às propostas de desvinculação dos hospitais universitários da USP e da implantação do plano de demissão voluntária (PDV) apresentadas pela reitoria aos dirigentes de unidades na reunião do dia 15/08.

A greve em curso na Universidade desde o dia 27/05 questiona o discurso de crise financeira apresentado pela atual Reitoria. Essa suposta crise também é utilizada pela atual gestão como justificativa para cortes no financiamento da universidade (os salários, as bolsas, o investimento nas pesquisas, entre outros), através de medidas autoritárias, não respeitando sequer seus próprios organismos de decisão, quem dirá o diálogo com as propostas da comunidade universitária.

O projeto de Universidade que o Governo do Estado de São Paulo – representado pela atual reitoria – se propõe a consolidar dá continuidade ao desmonte progressivo que vem ocorrendo nos serviços públicos a partir do sucateamento de recursos infraestruturais e da desqualificação dos servidores públicos, cujo pontapé inicial é o arrocho salarial. Essas duas propostas são fundamentadas pela falta de recursos como decorrência do que entendem como inoperância das instituições públicas. Os números apresentados pela Reitoria para justificar a crise – aparentemente frutos de racionalidade técnica – estão organizados e analisados segundo uma posição política ideológica em curso nos últimos anos, antagônica ao projeto que fez da USP a instituição respeitada e de reconhecimento mundial. Ao tomarmos ciência dos números apresentados pela ADUSP e de uma análise deles, oposta aos argumentos da reitoria, fica evidente que estamos diante de uma luta política, feita de forma desigual pelo uso do poder autoritário, que coloca frente a frente projetos antagônicos de Universidade, de Estado e de sociedade.

Entendemos que a desvinculação do Hospital Universitário (HU) e do Hospital de Reabilitação Anomalias Craniofaciais (HRAC), a partir da transferência de gestão para a Secretaria Estadual de Saúde, é um dos passos para consolidar esse projeto que visa desmontar a USP, nesse caso repassando partes para serem geridas por fundações. Isso já ocorreu com os serviços públicos de saúde e com o Hospital das Clínicas de São Paulo. Este criou uma dupla porta de entrada que reserva vagas e agiliza o atendimento para assinantes de convênios privados, ferindo os princípios constitucionais expressos na Lei 8080, que implementou o Sistema Único de Saúde no pais. No caso do HRAC, é lamentável que um hospital com tamanho grau de especialidade, referência mundial em sua área, seja desvinculado da universidade e repassado à gestão das Organizações Sociais.

Em relação ao PDV, a universidade hoje tem carência de funcionários em diversos setores, como acontece no IP, situação essa que tem impulsionado debates e ações em nossa unidade e no movimento geral. Diante de tal situação, é inaceitável a proposta da reitoria de implementar um plano de demissões que tem como meta cortar quase 1/5 dos funcionários da universidade, além de reduzir a jornada de trabalho de uma parcela dos que restarem, sem qualquer plano de reposição. Já temos diversos setores trabalhando com sobrecarga e índices altíssimos de adoecimento ocupacional em unidades como a SAS. Essas medidas da reitoria sinalizam uma piora ainda maior nas condições de trabalho da universidade, podendo levar ao desmonte de setores inteiros.

O Instituto de Psicologia se mantém firme em defesa de uma USP pública e de qualidade, com alicerces numa ampla democracia interna. Por isso, nos posicionamos contrariamente à postura autoritária da atual reitoria, como bem exemplificam o corte ilegal de salário dos trabalhadores em greve e a violenta repressão policial movida contra a manifestação legítima do dia 20/08, bem como a esse pacote de medidas que visam beneficiar privadamente pequenos grupos na medida em que precarizam e desmontam nossa universidade e os serviços públicos que ela oferece à população.

Se estamos diante de uma “crise da universidade”, como afirma o atual reitor, em medidas democráticas pode estar a solução.

Pela abertura imediata de negociação!
Pela democratização da estrutura de poder da USP!

Anúncios
Etiquetado , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: