“A NOSSA GREVE”

Texto encaminhado pelo prof. Jorge Luiz Souto Maior e lido na assembleia do Sintusp, ocorrida no dia 19/09/14.

A nossa greve

Fiquei muito triste ao saber que não poderia estar presente na assembléia desta sexta-feira, na qual se pontuariam as vitórias da nossa greve.

Queria deixar consignado a imensa honra que tive de participar desse movimento que representa, sem dúvida, uma marco na história da luta da classe trabalhadora.

O movimento foi vitorioso, sobretudo, por conta da capacidade de organização e mais ainda pela gestão democrática como foi desenvolvido, constituindo neste sentido até mesmo em exemplo para a USP, no que tange à forma de administração que se almeja na instituição.

O momento é de comemoração, mas vale lembrar que o conflito teve início porque o atual reitor acusou o ex-reitor de ter feito gastos que comprometeram o orçamento e resolveu punir os servidores e professores, recusando-lhes o reajuste constitucionalmente assegurado.

Cumpre também não esquecer que iniciada a greve a postura da reitoria foi a de tratar os grevistas como inimigos, assumindo o reitor, publicamente, uma espécie de compromisso em acabar com o sindicalismo na universidade.

A reitoria se recusou a negociar e judicializou o conflito, buscando massacrar os grevistas e o fez ao trazer, novamente, a Polícia Militar para o Campus e ao ameaçar os servidores com o corte de ponto.

Só que apesar da postura intransigente e repressiva da reitoria a adesão à greve cresceu, tendo conseguido, inclusive, atravessar o período de férias.

Em 115 dias foram inúmeras as mobilizações, reuniões, atos, debates, manifestos, promovendo-se, também, importante interlocução com outros movimentos sociais.

Com a força do movimento, a estratégia da judicialização da reitoria saiu pela culatra e a reitoria perdeu em todos os aspectos jurídicos, notadamente nos aspectos da obrigação de negociar, da ilegalidade do corte de ponto, da inexistência de obstáculo orçamentário para a concessão do reajuste e no próprio direito ao piquete.

A greve de servidores e professores da USP acabou cumprindo um papel histórico na evolução do próprio alcance do direito de greve, atingindo, positivamente, ao conjunto da classe trabalhadora.

É preciso, de todo modo, manter-se mobilizado, pois há várias outras lutas a travar, tais como: rechaçar o PIDV; rejeitar as fórmulas de redução de salário mediante redução da jornada de trabalho; recusar a contratação mediante fórmulas jurídicas precárias; refutar a terceirização; e abolir as fundações privadas dentre outras.

Sobretudo é essencial preservar a luta para instaurar uma constituinte livre, plural e autônoma, para construir a democracia na universidade.

Por hoje, o importante mesmo é comemorar e queria por meio desta deixar um grande abraço a todas e a todos, agradecendo, enormemente, a oportunidade de ter participado das formulações coletivas na deflagração e no desenvolvimento da greve.

Foi um grande aprendizado e sinto, hoje, uma enorme felicidade.

Muito obrigado!

Jorge Luiz Souto Maior

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